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Cresce a lacuna de talentos especializados em IA e cibersegurança no mercado global

Relatórios de instituições internacionais indicam que a velocidade da inovação tecnológica supera a capacidade de formação de novos especialistas, exigindo revisão nas estratégias de retenção e requalificação

Por Redação

O avanço acelerado da Inteligência Artificial (IA) e a sofisticação das ameaças digitais criaram um cenário de alta pressão para as organizações em 2026. Embora a adoção de tecnologias emergentes seja vista como o motor da eficiência operacional, o mercado enfrenta uma barreira estrutural: a escassez de profissionais qualificados. Segundo dados recentes do Fórum Econômico Mundial (WEF), a necessidade de atualização de competências deve atingir 44% dos trabalhadores globais nos próximos anos, com foco crítico em áreas técnicas e de proteção de dados.

O déficit é acentuado pela complexidade das novas funções. Na área de segurança, a ISC2 (International Information System Security Certification Consortium) aponta que a força de trabalho global em cibersegurança precisaria quase dobrar de tamanho para garantir a proteção adequada das infraestruturas corporativas. O cenário é agravado pelo uso de IA generativa por agentes maliciosos, o que torna a defesa cibernética uma tarefa que exige conhecimentos cada vez mais específicos e dinâmicos.
Para a SGF Global, empresa global referência em soluções de capital humano, o momento exige que as companhias olhem para além do recrutamento tradicional.

“A falta de especialistas em IA e cibersegurança não é apenas uma questão operacional, mas um risco estratégico para a perenidade das empresas. Não se trata apenas de preencher vagas técnicas, mas de encontrar profissionais capazes de conectar a inovação tecnológica à proteção da reputação institucional. O Brasil possui um enorme potencial, mas precisamos acelerar a requalificação interna para não dependermos de um estoque de talentos externo que, hoje, é extremamente limitado”, afirma Heliana Silva, Country Manager da SGF Global no Brasil.

Além da formação técnica, a diversidade aparece como uma solução viável para mitigar o problema. Dados da UNESCO revelam que a disparidade de gênero no setor de IA — onde menos de um quarto dos profissionais são mulheres — limita o alcance de novas soluções e reduz a base de talentos disponível.
Outro ponto de atenção vem da ISACA (Information Systems Audit and Control Association), que destaca que mais da metade das empresas leva cerca de seis meses para ocupar posições estratégicas em segurança da informação, um tempo que as ameaças digitais não permitem esperar.

“As lideranças precisam reformular o modelo de busca por candidatos. Em vez de focar apenas em perfis ‘prontos’, as organizações devem se transformar em centros de aprendizagem, investindo em upskilling e valorizando a adaptabilidade. Em um mercado onde as ferramentas mudam trimestralmente, a capacidade de aprender continuamente tornou-se a habilidade mais crítica para qualquer especialista”, conclui Heliana Silva.

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